
A Cachoeira do Buracão, em Ibicoara: 85 metros de queda, uma trilha de 3 km por três biomas e um trecho a nado entre os cânions até chegar embaixo dela.
Essa é a Cachoeira do Buracão, uma das atrações mais impressionantes da Chapada Diamantina. Estamos falando de uma queda d'água de 85 metros e de um poço com profundidade estimada em 30 metros. Por conta do grande volume de água e dessa profundidade toda, a água tem uma cor bem escura, o que deixa o ambiente super imponente.
Pra chegar até a queda, é preciso nadar entre os cânions, e por isso o acompanhamento de um guia e o uso de colete salva-vidas são obrigatórios. Conhecer a Cachoeira do Buracão é, sem dúvida, uma daquelas experiências que a gente leva pra vida. Aqui conto como foi a nossa, do caminho até a volta.
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Informações sobre a trilha
- Onde fica: Brejão, zona rural de Ibicoara, na Chapada Diamantina, Bahia.
- Entrada: R$ 20 por pessoa, com o colete salva-vidas incluso.
- Distância: 3 km de ida e 3 km de volta.
- Guia: obrigatório. Fomos com o Antônio.
- Rapel (opcional): R$ 220 para descer 90 metros.
- Nado: cerca de 100 metros na água, entre os cânions, para chegar até a queda.
Onde fica
De Andaraí a Ibicoara
Depois de 12 dias em Andaraí, colocamos tudo no carro e seguimos viagem. A Nina, claro, fez manha pra subir e entrou cheia de terra. Pegamos a estrada em direção a Mucugê com a intenção de acampar no Camping Cantinho da Lua, no Brejão: um trajeto de 147 km, boa parte de asfalto, passando por uma montanha mais linda que a outra.
A 6 km de Ibicoara, paramos pra levantar o drone. A partir dali, o Cris e a Renata foram dirigindo os carros enquanto eu pilotava, pra fazer essas imagens bonitonas da chegada na cidade.

Ibicoara é uma cidade de cerca de 12 mil habitantes, rodeada por paisagens naturais e com um clima agradável. É um ponto de passagem importante para aventureiros e amantes do ecoturismo: muita gente se hospeda ali para conhecer duas das cachoeiras mais imponentes da Chapada Diamantina, a do Buracão e a Fumacinha.
Passando por Ibicoara, seguimos para o Brejão, agora sim em estrada de chão. Foram mais 30 minutos até a entrada do camping, com o sol começando a cair e um visual lindo da estrada.
Camping Cantinho da Lua
O Brejão é uma comunidade rural conhecida pela tranquilidade e pela hospitalidade dos moradores, que preservam as tradições da vida no campo. O Cantinho da Lua tem churrasqueira, cozinha completa com geladeira e fogão, e um açude do ladinho do camping, com um pôr do sol de deixar sem palavras. E um silêncio ensurdecedor.
A primeira manhã amanheceu bem fria, em torno de 13°C, a temperatura mais baixa que eu já tinha visto na Bahia até então. Mesmo assim, a noite foi tranquila, e dormi confortável e quentinho.

Essa montanha maravilhosa se chama Pico do Gavião. Ela fica no caminho da trilha da Fumacinha e foi o destaque da paisagem nos nossos sete dias de acampamento. Do camping até a entrada da trilha do Buracão são 9 km.
Para quem quiser se hospedar lá: Camping Cantinho da Lua, Brejão, Ibicoara, WhatsApp (77) 98145-1794.
A portaria e a preparação
Saímos do Brejão eu, o Cris, a Renata e o guia Antônio, no meu carro. Dessa vez a Nininha ficou no camping, porque cachorro não pode ir pra trilha. Na portaria pagamos a entrada no parque, R$ 20 por pessoa, e depois ainda são 7 km de estradinha até o estacionamento do Buracão.
Ali preparamos as mochilas, e cada pessoa leva o seu próprio colete salva-vidas, que é fornecido pelo parque e já está incluso no valor da entrada.

No começo da trilha, o Antônio passou as regras do parque: proibido bebida alcoólica e cigarro, não tirar nada além de fotos, não matar nada além do tempo, não deixar nada além de pegadas. "E daqui a gente só leva saudade."
O Antônio
Perguntei há quanto tempo ele guia por ali. Oficialmente, há dois anos e pouco. Antes de começar a conduzir, o guia passa por um treinamento de cerca de dois anos, e quando está perto de ser liberado faz mais alguns treinos, até que um guia experiente avalia se ele está pronto. E tem que ter experiência, porque natureza é natureza. O Antônio disse que conduz por amor ao que faz, e isso dá pra sentir.
Três biomas na mesma trilha
O início da trilha é bem tranquilo, com alguns córregos de água pelo caminho. Logo chegamos a um primeiro espaço mais aberto, com pedras e um rio muito bonito. O Antônio explicou que ali se misturam três biomas: o cerrado, a caatinga e a Mata Atlântica. Quanto mais perto da Cachoeira do Buracão, mais Mata Atlântica.

Esse é o Rio Espalhado, que atravessa a Chapada Diamantina e é vital para o ecossistema da região: as águas potáveis dele sustentam a biodiversidade local e abastecem as comunidades. O rio se divide em vários canais, criando um efeito de espalhamento das águas, e é daí que vem o nome.
Para os curiosos do audiovisual
A mochila que eu uso é da Lowepro, o primeiro modelo da Flipside 400 AW. Tenho ela há mais de 10 anos, desde quando comecei a trabalhar com fotografia, e ela tem o tamanho perfeito pra levar a câmera, o drone, o controle e tudo mais. Esse modelo específico já saiu de linha, mas super recomendo a Lowepro pra quem precisa de uma mochila profissional de fotografia. O drone é um DJI Air 3.
Nessa trilha também descobri que consigo prender a câmera num mosquetão e liberar as duas mãos para os trechos em que é preciso se apoiar pra descer. Bem útil.
Por que estar na rua
Um dos principais motivos para eu começar essa viagem foi justamente poder estar mais na rua, mais na natureza, para filmar e fotografar. Por muito tempo morei em apartamento trabalhando com fotografia, e cansei de ser o fotógrafo de apartamento, sabe? Aquele fotógrafo e filmmaker que só sai de casa quando tem um trabalho pagando.
Viajar e conhecer lugares novos é sempre um motivo pra treinar a fotografia, o vídeo, a captação, e também pensar em como eu vou amarrar a história pra contar ela pra vocês. Estar na rua, estar na natureza, é muito bom mesmo.
Poço Manso e as escadas de passo alternado
Em seguida chegamos ao Poço Manso, que logo vira a Cachoeira do Buraquinho, com uma vista maravilhosa. Daí em diante o terreno passa a ser completamente rochoso, em meio a bastante vegetação. Num ponto, a água entra na pedra lá em cima e sai por baixo, uma parte por uma fenda e outra parte mais embaixo.

Esse trecho tem algumas escadas colocadas para facilitar o acesso, e achei muito interessante: são lances com degraus de passo alternado, inspirados no inventor brasileiro Santos Dumont. Esse desenho exige começar com um pé específico e faz a escada ocupar menos espaço.
Passamos pela Cachoeira das Orquídeas, e o Antônio contou que inauguraram recentemente um percurso de rapel. Para descer os 90 metros de rapel, o valor era R$ 220. A gente optou por descer caminhando mesmo, pelos degraus da escada.
Cachoeira do Recanto Verde
A trilha vai ficando cada vez mais linda, com muita vegetação entre as pedras, e o clima vai ficando mais abafado até chegar na Cachoeira do Recanto Verde. Surreal. A água dela passa por baixo das pedras e vai sair lá em outro ponto.
Nem tínhamos chegado no Buracão e eu já achava essa uma das trilhas mais legais que já fiz. E não é muito cansativa: são só 3 km até lá. A trilha da Fumacinha, por exemplo, tem 9 km de ida e 9 km de volta. Comparada a ela, a do Buracão é muito mais fácil, o que deixa o rolê mais prazeroso, sem tanta preocupação com a distância e o cansaço.

Poço das Gameleiras e a travessia a nado
Chegando oficialmente, aparece esse paredão enorme. Logo depois vem o Poço das Gameleiras, e é ali que todo mundo coloca roupa de banho, porque pra chegar na Cachoeira do Buracão tem que ser nadando, seguindo a correnteza pro outro lado.
O primeiro trecho a nado tem uns 60 metros. O Antônio leva uma bolsa estanque para os eletrônicos, e coloquei a câmera lá dentro, com o mini tripé e o microfone, e seja o que Deus quiser. Mais uma vez fui salvo pelo Cris, que levou a GoPro para fazer as imagens dentro d'água.
A dica do Antônio pra nadar: só balançar as pernas, com movimentos lentos, senão cansa muito. E o colete salva-vidas faz toda a diferença.

Depois da natação, costeamos as pedras até chegar num ponto onde todo mundo fica ali, admirando a queda d'água.
A Cachoeira do Buracão

A água era muito gelada, mas eu não podia perder a oportunidade de ir lá embaixo sentir essa água na cara. Nesse momento, o volume de água era tão grande que ficar de olho aberto era quase impossível. O Antônio me acompanhou e me deu uma dica fundamental: caminhar de costas, pra conseguir ficar de olho aberto.

O café do Antônio
Depois desse momento de fortes emoções, o Antônio preparou um cafezinho pra gente, e ficamos ali descansando e apreciando a vista, rodeados por esses cânions.

A volta
A volta é sempre mais rápida. Foram 3 km de ida e 3 km de volta, e foi maravilhoso. Uma trilha muito legal e também desafiadora, principalmente pra quem não sabe nadar. Faria de novo. E no fim, uma água de coco gelada pra hidratar.
Se você curtiu, assiste também os vídeos do Poço Azul e de Itacaré lá no canal. Nos vemos no próximo!
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