
Como é, na prática, mudar de camping com um mini trailer: desmontar o acampamento em Aracaju, engatar, pegar a estrada e montar tudo de novo numa chácara em Pirambu, Sergipe.
Faz bastante tempo que eu queria mostrar isso: como é, na prática, mudar de um camping para outro com o nosso mini trailer. Desmontar o acampamento, engatar o trailer no carro, pegar a estrada e chegar num lugar novo pra montar tudo de novo.
Dessa vez a gente saiu do Camping Praia Grande, em Aracaju, depois de seis dias acampados ali, e foi pra uma chácara em Pirambu, também em Sergipe. Uma mudança curta, de uma hora e meia de estrada, mas com tudo o que uma mudança com trailer tem: a véspera, o despertador cedo, o engate e uma chegada que deu um sufoco.
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Informações sobre a mudança
- De: Camping Praia Grande, Aracaju, Sergipe.
- Para: Chácara Refúgio de Assis, em Pirambu, Sergipe.
- Estrada: uma hora e meia.
- Camping: R$ 25 por noite, por tudo.
- Quando: desmontamos na terça, 6 de outubro, e saímos na quarta, 7.
- Hora de acordar: 5h29.
O Camping Praia Grande
O Camping Praia Grande, do Carlinhos, é bem simples: um campinzinho de beira de praia, na avenida que passa bem na beira do mar. A estrutura é um grande quiosque com sofá e mesas, duas pias pra lavar louça, banheiro feminino, masculino e mais um banheirão onde dá pra tomar banho, além de um chuveiro ao ar livre. Eu tomei a maioria dos banhos ali, ao ar livre. Tem também uns quiosques espalhados pelo terreno que, pra falar bem a verdade, estão bem abandonados. A ideia é boa, a intenção é boa, mas falta cuidado.

Na frente do camping fica a praia: uma faixa de areia enorme e um mar bem tranquilo. Com a maré baixa, eu caminhei horrores até chegar na água.
Sobre valores: ali a gente pagava R$ 25 por noite, e não por pessoa. Era por tudo: por mim, pela Lelê, pela Nina, pelo trailer e pelo carro. É claro que a estrutura é simples, e não tem banho quente. Mas a gente está no Nordeste, um calorão do cão, então é só se organizar e tomar banho ali pelas cinco e meia da tarde, antes de escurecer.
Como o acampamento fica montado
A gente parou o carro do lado de onde vem o vento, que vem todo da praia, pra barrar um pouco. O trailer ficou com a porta virada pro trailer vizinho, que estava parado ali sem ninguém, pra ficar mais protegido do vento e do sol.
Quando a gente para num camping, tenho apoiado o trailer em alguma coisa: uns tijolos, uma madeira. Eu acho a rodinha da frente um pouco fraca. A madeira a gente carrega; os tijolos eu achei ali mesmo, numa obra. Em cima do trailer ficam a Starlink, apontada na direção certa e ligada na tomada do trailer, uma claraboia e a placa solar.

A cozinha é totalmente pra área externa, e a gente gosta muito disso. Tem um fogão industrial de duas bocas, o botijão de gás, uma geladeira duplex com freezer e a pia, que puxa água de uma caixa d'água de 100 litros embaixo do trailer. A tampa da cozinha abre e, quando a gente fecha, não dá pra ver nada. Embaixo de tudo fica um tapete permeável: se chove, a água passa e não vira poça. E tem a mesa dobrável, que serve literalmente pra tudo: café da manhã, trabalho, almoço, janta.
A gambiarra do seu Alberto
No começo, a segunda boca do fogão começou a queimar a madeira da cozinha. Quem nos salvou foi o seu Alberto, lá do Camping Vila Nômade, em Arembepe, pertinho de Salvador, na Bahia: ele ajudou a colocar uma barra de alumínio, que resolveu o problema, e uma lata de tinta encaixada em volta do fogão, que barra o vento de todos os lados. Agora a gente usa as duas bocas de boa. A nossa gambiarra master. E se não tiver nenhum tipo de gambiarra, não é acampamento, né?
Por que a gente sai tão cedo
Durante a semana a gente trabalha, então viagem longa, de quatro, cinco, sete horas, fica pro sábado ou pro domingo. Quando a viagem é curta, como essa de uma hora e meia, a gente viaja num dia útil mesmo, com um esquema: empacota quase tudo no dia anterior, antes de escurecer, e sai muito cedo no dia seguinte.
A gente sempre gosta de sair cedo dos lugares, e isso faz muita diferença. Dá pra chegar no lugar novo, montar tudo e, quando vê, ainda não são nem nove da manhã. Esse era o plano: sair por volta das seis, chegar cedinho e conseguir trabalhar a quarta-feira normalmente.
Desmontar na véspera
Na terça, depois do trabalho, por volta das quatro e meia, começamos a pré-arrumação. O botijão é só fechar o gás, desconectar a mangueira de alta pressão e levar pro baú, na frente do trailer. O fogão é empurrado pra dentro e todas as gavetas ganham um botãozinho de trava, pra nada ficar balançando na estrada. A Starlink fica ligada até de manhã.
Embaixo do trailer sai um cano branco, que leva a água da pia pro solo, a água cinza. É só desrosquear. No total, essa arrumação leva uns quarenta minutos, uma hora. Dessa vez levou um pouco mais porque eu estava gravando, mas o sol se pôs e a gente já tinha terminado. No dia seguinte era só juntar os últimos cacarecos.
5h29 da manhã

Acordamos às cinco e vinte e nove, com o sol nascendo e a Nina dando aquela chorada de toda manhã. Dentro do trailer, antes de sair, a gente tira as coisas de cima, como o violão, que vai pra cama, e prende os dois armários com um elástico e um parafuso, pra nada cair. O resto da bagunça fica: a gente organiza tudo quando chega no lugar novo.
Também sempre fazemos um lanchinho pra estrada, pra não depender só de posto. Dessa vez a Lelê preparou uns sanduíches enquanto eu terminava a parte elétrica.
Da luz do camping para a bateria
No baú da frente fica o coração da parte elétrica: a bateria, o inversor, que é da marca Must, e os disjuntores. Nesse camping cada vaga tinha o seu medidor de luz. Então eu tiro uma foto do medidor quando chego e outra quando vou embora, pra saber quanto usamos.
A troca é sempre a mesma: desligo o trailer da tomada do camping, ligo o disjuntor geral do inversor e aperto o botãozinho dele, que dá um bip. A partir daí a geladeira da cozinha passa a funcionar pela bateria, que estava em 100%, carregada pela placa solar. O sistema todo é 220: uma bateria, um inversor híbrido e as caixas de luz que levam energia pro trailer.
Travas, toldo e pezinhos
A tampa da cozinha tem duas travas, uma de cada lado, que a gente colocou além da trava original, e leva um cadeado. A porta do trailer também. Depois vem o toldo, que fica preso com duas cordinhas por causa do vento: é só baixar, que ele enrola sozinho, e fechar com o velcro.

Por último, recolhemos os dois pezinhos. Um deles está meio torto: em alguma lombada da estrada ele bateu embaixo e entortou, então pra subir ele é um pouquinho chato.
Engatar, a parte mais chata
Primeiro eu posiciono o carro bem direitinho, dando ré devagar, com a Lelê guiando. Depois vem a parte que pede força. Antes de encaixar, eu coloco um pouquinho de Bombril no engate, que ajuda a dar o contato. Foi uma dica do cara que fez a carreta.

Engatado, vai a tomada, a corrente de segurança com cadeado (que, pra falar a verdade, é mais pra uma emergência) e, por fim, a gente tira os tijolos de baixo da roda. A Nina embarca por último, com a guia bem bonita.
Pé na estrada

Saímos de Aracaju com o lanchinho e pegamos uma horinha e meia de estrada até Lagoa Redonda, em Pirambu. O difícil vem depois.
A chegada, a parte mais difícil
A chegada é sempre o momento mais tenso, porque a gente tem que estacionar o mini trailer e nunca sabe exatamente o que vai encontrar: um buraco, um desnível, um portão de garagem, alguma coisa que pode bater em cima do trailer.

Abrimos o portão e começou o desafio. Já na primeira manobra raspei a roda na guia e virei pro lado errado. A gente não conseguiu filmar a parte mais tensa: a caixa d'água do trailer estava pegando no chão, de um lado e do outro, e a gente teve que usar duas madeiras pra conseguir entrar com ele. É isso que eu sempre digo: a parte mais difícil é conseguir colocar o trailer no lugar.
Montar tudo de novo
Dessa vez estacionamos o trailer no sol de propósito, porque ali a gente ia depender da energia solar. A placa pega o sol do meio-dia em diante, e a cozinha abre pro lado da sombra, onde dá pra trabalhar e cozinhar de boa.
Pra desengatar, coloquei uma madeira travando a roda, pro trailer não correr pra frente nem pra trás, e apoiei a roda da frente em cima de umas pedras e de uma madeirinha. Os pezinhos têm umas bolinhas de ajuste que deixam tudo meio emperrado. Eu queria muito que eles fossem daqueles reguláveis.
Aí é abrir a cozinha devagarzinho, pra ver se nada tombou (nada grave), estender o toldo e colocar o tapete. Como ali era grama, usamos só o emborrachado. A Starlink vai pro lugar, com cuidado pra porta não beliscar o cabo. Quando fui montar a mesa, já tinha passado das nove: a Lelê tinha que trabalhar, e eu também.
Essa mesinha eu tenho há muito tempo. Ela viajou três anos comigo de carro, na primeira viagem, ainda sem o trailer. Está toda meio fubanga, mas continua cumprindo o que precisa.
Por último, a água. A caixa de 100 litros enche por uma mangueira com engate rápido; quando ela fica cheia, o ladrão começa a pingar, e é só desligar. Na saída da pia eu engato uma mangueira que leva a água pra mais longe, senão ela cai direto embaixo do trailer e faz poça.
Quanto a Starlink pega

Normalmente a Starlink fica entre 189 e 210 Mbps de download e chega a uns 26, 30 de upload. Logo depois de ligar, ela ainda demora um pouquinho pra coletar dados, e o upload estava baixo. No segundo teste já foram 244 de download e uns 35 de upload, com ping de 42 ms. Tá legal.
Energia 110 num trailer 220
Na chácara a energia é 110, e tudo no trailer é 220. Então combinamos com o dono do espaço de puxar o 110 só pros computadores e o que é bivolt, e deixar o trailer na bateria solar, pra iluminação e o resto. A gente não usa muita energia. A tomada era de 10 amperes, e o único adaptador que eu tinha não era muito bom. Mas foi o jeito.
A Chácara Refúgio de Assis
O lugar é uma chácara mesmo, toda verde. A gente ficou no estacionamento, e a casa, com duas suítes (se não me engano), cozinha e banheiro, fica mais pra dentro. Tem uma área com rede e cadeira debaixo de uma árvore enorme, área de churrasqueira, uma piscina bem grande e uma quadra de vôlei.
E fruta pra todo lado: mamão, banana ainda verdinha, um limoeiro com uns limões enormes (descobri pelo cheiro da folha), acerola, um cajueiro sem caju e uma mangueira gigante, as duas fora de época. Tem também um pé carregado de uma fruta que eu não consegui identificar. Se você souber qual é, me conta.

E tinha tamarindo. Esqueci o nome na hora, mas era. É só tirar a casquinha: o começo é gostoso, mas quanto mais você chupa, mais azedo fica. Um suco disso deve ser uma delícia.
Na parte de fora da casa tem um banheirinho, bem limpinho, e um chuveirão. E a Nina, morta de calor no chão, já tinha água fresquinha esperando.
Banho frio

Teve uma frase importante da Lelê nesse dia: "Ah, nem me importo mais de tomar banho frio". Porque viver na estrada também é isso: a gente vai abrindo mão de alguns confortos. Claro que é bom ter água quente, mas ainda mais no Nordeste, com esse calorão, o banho nem é gelado. É fresquinho. É de boa.
As argolas
Pra fechar, uma coisa que eu levo pra todo lugar: as minhas argolas, que comprei há pouco tempo pra me pendurar todo dia. Faz bem pra coluna, faz bem pra tudo. Com duas catracas, é bem fácil de instalar. Na estrada, manter o exercício físico é importante. Se não, já viu.
Essa foi a nossa mudança com o trailer, de um lugar pro outro. Ficou faltando mostrar a parte de dentro, a nossa organização, mas lá dentro ainda estava tudo bagunçado. Se você curtiu, se inscreve lá no canal. Nos vemos no próximo!
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