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Viagem19 Out 202410 min de leitura

Itacaré é Mais ou Menos Assim

Capa do post sobre a viagem a Itacaré, no sul da Bahia

Itacaré ficou no meu top 3 do sul da Bahia: surfista, artista, muito samba e trilhas de praia em praia até a Jeribucaçu.

Hoje compartilho com vocês a nossa experiência em Itacaré. Sério, esse lugar é mágico e ficou no meu top 3 melhores cidades do Sul da Bahia, competindo com Cumuruxatiba e Arraial D’Ajuda. Se você está em dúvida se deve incluir Itacaré na sua lista de lugares para conhecer no Sul da Bahia, eu já adianto: não tenha dúvidas. Itacaré é incrível, especialmente se você busca um lugar com muitos artistas, surfistas, samba, reggae, yoga e claro, muitas opções de praias paradisíacas e trilhas em meio à natureza.

É um lugar que recebe muitos turistas, mas onde também mora muita gente. Uma praia que preservou a sua essência.

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Informações

  • Onde fica: Sul da Bahia, a cerca de 75 km (1h30 de carro) de Ilhéus, que tem o aeroporto Jorge Amado.
  • De Salvador ou de Porto Seguro: de 5 a 6 horas de estrada.
  • Meses mais chuvosos: março e abril.
  • Meses menos chuvosos: agosto, setembro e outubro.
  • Alta temporada: dezembro até o carnaval e todos os feriados prolongados.
  • Camping Rai Luc: R$ 60 a diária, coladinho na Praia da Costa.
  • Residencial Lucernare: pagamos R$ 1.800 por 15 dias na cobertura, no centrinho.
  • Praia de Jeribucaçu: a 15 km do centro, 20 minutos de carro e mais 20 de trilha fácil.

Onde fica

Itacaré, BahiaAbrir no Google Maps

Localização e acesso

A cidade grande mais próxima de Itacaré é Ilhéus, que tem o aeroporto Jorge Amado, a 1h30 de carro (aproximadamente 75km) de distância. Itacaré fica mais ou menos na mesma distância entre Salvador, ao norte, e Porto Seguro, ao sul da Bahia. Se você vem por algum desses lugares, é uma viagem longa, de 5 a 6 horas de estrada, mas vale cada centavo de combustível.

Vista aérea de Itacaré, com as casas da cidade, o rio largo cheio de barcos e o mar ao fundo
Itacaré vista do drone.

Escolha a melhor época para visitar Itacaré

Itacaré é um lugar que vale a pena conhecer em qualquer período do ano, mas vale ficar atento ao calendário anual pra escolher os meses com menos chuva. Se você conseguir evitar março e abril, acho que já é suficiente.

  • Meses mais chuvosos: Março e abril.
  • Meses menos chuvosos: Agosto, setembro e outubro.
  • Alta temporada: Dezembro até o carnaval e todos os feriados prolongados.

Chegar sem reserva

Eu e Nina saímos de Porto Seguro sem reservar nenhum lugar para ficar, no estilo “a moda caralho”, kkk. Para quem nunca fez isso, é uma experiência que eu recomendo. Pode ser ruim, claro, mas pode ser ótimo. É algo que você deve fazer pelo menos uma vez na vida. Como a gente tem o carro preparado para acampar, dá um friozinho na barriga divertido, e acho que a gente se sente um pouco mais vivo pela surpresa que vai encontrar.

A principal dica: se for chegar num lugar sem ter onde ficar, chegue cedo. Com bastante dia e claridade pela frente, dá tempo de olhar as pousadas e os campings e aí sim decidir. Chegamos em Itacaré por volta das 15h, ainda com sol. Na Bahia, começa a escurecer por volta das 17h, então lembre-se disso.

Ficamos rodando um pouco de carro pela cidade em busca de um camping. Itacaré tem várias ruazinhas de mão única e não é uma cidade muito boa para os veículos, o que é bom: eu adoro cidades que funcionam bem para quem está caminhando. Num dos campings eles já tinham cachorro, e o dono viu a Nina e achou que não era uma boa ideia. Os primeiros três campings que visitamos não permitiam entrada de carros, apenas barracas. Surpreendentemente, Itacaré tem poucas opções de camping com estacionamento para carros: a maioria é mais apertadinha, para a galera que vai de mochilão nas costas. Decidimos acampar de barraca mesmo, para ficar mais próximo de alguma praia. Escolhemos o camping Rai Luc, coladinho na Praia da Costa.

Camping Rai Luc

O camping Rai Luc é lindo, com muita natureza e vários espaços para montar o acampamento. A chegada foi cansativa, especialmente por fazer tudo sozinho. Tirei muitas coisas do carro, como barraca, colchonete, cadeira, caminha de cachorro e até a geladeira portátil. A montagem do acampamento levou cerca de uma hora. E a Nininha, claro, não ajudou em nada.

Nando armando a barraca no meio da mata do camping, com a Nina deitada no chão ao lado
Montando a barraca, com a Nina de fiscal.

Foi a primeira vez, ao longo desse primeiro ano viajando, que precisei tirar tudo do carro para acampar de barraca. Acampar de barraca é uma coisa que eu já fiz bastante e gosto muito desse contato super próximo com a natureza: fiz uma viagem pelo Uruguai de bicicleta em 2019 e subi a Serra Gaúcha em 2021, tudo acampando. Mas foi nesse momento que lembrei por que fiz a transformação do carro. Com a cama, a geladeira e tudo pronto, montar e desmontar é muito mais prático.

O camping Rai Luc é super reservado e tem uma vista linda da Praia da Costa. No entanto, a diária de R$ 60,00 é um pouco cara: foi o camping mais caro de toda a viagem até agora. O terreno é bem íngreme, e a gente precisava ficar subindo e descendo para acessar a cozinha e os banheiros. A estrutura da cozinha é muito pequena e só tem um fogão e uma pia. Felizmente, não havia quase ninguém no camping, e a cozinha ficou praticamente só para mim. Fiquei imaginando como seria cozinhar com mais gente usando o mesmo espaço: seria um caos. As áreas de natureza são ótimas, com uma área comum com redes e bastante grama para pegar sol, o ponto forte do camping.

A Pituba à noite

Nos primeiros dias, ainda estávamos nos familiarizando com o espaço e aproveitamos para conhecer o centrinho à noite. A rua mais famosa da cidade é a Pedro Longo, conhecida como Pituba. Durante o dia, ela fica aberta para carros, mas à noite é fechada para pedestres, proporcionando um ambiente agradável para passeios noturnos. Pituba é repleta de barzinhos, lojas, comércios e muita música ao vivo.

A rua Pituba à noite, com bares iluminados, mesas na calçada e árvores ao longo da rua
A Pituba, fechada para os carros à noite.

Uma noite, sentei para escutar um samba intimista que foi incrível. Percebi que Itacaré atrai um público jovem devido aos muitos hostels e estrangeiros, além de pessoas de outras partes da Bahia e do Brasil que escolheram viver aqui em busca de uma vida mais equilibrada, próxima à natureza e ao mar. Senti algumas semelhanças com Arraial d’Ajuda: de todas as pessoas com quem conversei, o motivo de morar em Itacaré era esse, o contato com o mar, com o surf e com o yoga.

As praias

Itacaré é dividida em duas partes: a parte urbana, onde fica o centrinho e os comércios, e a parte mais “rural”, onde estão as praias. Pela rua Caminho das Praias, é possível caminhar para conhecer as praias do Resende, Tiririca, Costa, Ribeira, Siriaco e Prainha, todas em sequência e maravilhosas. Dá para ir de carro até mais ou menos entre a Praia da Costa e a da Ribeira; para as outras, tem que ser a pezinho mesmo, fazendo trilha.

Praia de Jeribucaçu

Durante nossa estadia, conheci Renner, um viajante solo de Goiás, que já estava viajando pelo Brasil havia mais de dois anos. Ele me convidou, junto com uma amiga, para conhecer a Praia de Jeribucaçu, a 15km do centro de Itacaré. É uma região com várias praias naturais, com acesso somente a pé. Foram 20 minutos de carro e mais 20 minutos de caminhada por uma trilha fácil, uma descida com muito verde, até chegarmos ao encontro de um rio com o mar.

O rio de água dourada encontrando a areia da Praia de Jeribucaçu, entre coqueiros e mata
O encontro do rio com o mar em Jeribucaçu.

Continuamos caminhando pela areia e pela beirada das pedras para conhecer a Praia dos Corais e a Praia da Arruda, cada uma mais linda que a outra. São praias virgens, sem nenhuma construção, totalmente natureza. Esse dia foi surreal de lindo. Recomendo esse passeio!

Três noites de chuva e a mudança

Infelizmente, choveu muito logo na primeira noite de acampamento, o que foi bastante incômodo. Chuva é sempre a pior parte do acampamento, e no mês de abril chove praticamente todos os dias. Foram três madrugadas inteiras chovendo sem parar. As minhas roupas já estavam molhadas, a barraca estava encharcada por baixo e as coisas lá dentro começaram a ficar úmidas. Eu sabia que era hora de sair dali.

Após três noites seguidas de chuva no camping Rai Luc, decidi procurar outro lugar para ficar. Revirei a internet e encontrei, direto pelo Google Maps (essa dica é de ouro), um apartamento com uma estrutura excelente no centrinho de Itacaré, chamado Residencial Lucernare, do Eddie, um surfista super gente boa que mora em Itacaré com a esposa e os dois filhos pequenos. Se eu não me engano, ele tem oito apartamentos, todos novinhos, com e sem cozinha.

Terraço da cobertura, com um sofá de madeira e almofadas floridas, plantas e a parede verde-clara
A cobertura do Residencial Lucernare.

A cobertura que alugamos por R$ 1.800,00 para 15 dias foi um excelente investimento, proporcionando o conforto necessário após dias difíceis no camping. Ficou um pouco acima do meu orçamento, já que um camping costuma custar uns R$ 20 ou R$ 30, mas naquele momento eu e a Nina estávamos precisando de mais conforto e tranquilidade. Era só sair do prédio e a gente já estava no centrinho, e mesmo no meio da muvuca, com música alta rolando, as janelas de vidro duplo deixavam tudo bem silencioso à noite. Vale super a pena, ainda mais se você viaja em casal ou em três ou quatro pessoas.

Praia da Coroa e o centrinho histórico

O apartamento ficava a 200 metros da Praia da Coroa, frequentada por moradores e onde ficam os barcos dos pescadores. Caminhávamos diariamente pela praia, que faz parte do centrinho histórico da cidade. A Praça São Miguel e as construções históricas são imperdíveis, assim como os restaurantes com preços justos e pratos bem servidos, que ficam no final da orla, passando a parte dos pescadores.

Barcos de pescadores ancorados na água calma da Praia da Coroa, com o casario de Itacaré ao fundo
Os barcos dos pescadores na Praia da Coroa.

Uma conversa com o Devid

Foi ali que gravei uma conversa com o Devid, um local que conheci pelo Instagram. Ele tem 31 anos, é filho de pai indígena e mãe negra, se considera um baiano original e trabalha como guia de turismo. Ele chama as pessoas de livros ao vivo, e diz que ouvir é sobre acolher, prestar atenção e se importar com o que a pessoa está falando.

Devid sentado numa pedra à beira da água, conversando, com barcos e a outra margem ao fundo
O Devid, na beira da Praia da Coroa.
Quando você para de procurar, você encontra.

Mirante do Xeréu e Praia da Concha

A 600 metros do centrinho, o Mirante do Xeréu oferece um pôr do sol maravilhoso, com carrinhos de drinks, comidinhas e música ao vivo. Todo dia em que o tempo está bom, junta bastante gente lá para assistir.

A Praia da Concha, a mais próxima do centro, é excelente para visitar pela manhã, com barzinhos de valores justos e uma vista incrível do Farol de Itacaré, um dos mais antigos da Bahia. De manhã o sol pega inteiro na praia; à tarde ele se esconde mais cedo. É a praia para quem quer ficar na água mesmo.

Praia da Concha no fim da tarde, com pessoas no mar calmo e coqueiros na ponta ao fundo
A Praia da Concha.

Uma dica para os barzinhos de lá: via de regra, se tem mesa e cadeira de plástico, vai ser mais barato; se tem espreguiçadeiras lindas e maravilhosas, provavelmente vai ser mais caro. E recomendo a caminhada por toda a orla da Concha: no finalzinho tem várias pedras, e seguindo por ali chega no farol. O visual é muito legal.

A Amanda

Foi nesse lugar que gravei com a Amanda, uma brasiliense que mora em Itacaré já há algum tempo. Ela é pedagoga, cresceu no Centro-Oeste, bem longe do mar, e o sonho dela era aprender a surfar. Foi para Itacaré para ficar mais em contato com o surf e com o yoga. Ela contou que vinha muito estressada e cansada quando sonhou com uma música sobre Janaína, e veio na hora a mensagem: vai pra Bahia. Quando chegou em Itacaré, se sentiu em casa.

Amanda sentada num tronco à sombra de uma árvore, com o mar e as pedras ao fundo
A Amanda, na beira do mar.
Quando o universo coloca um convite na sua frente, tem alguma razão pra aquilo estar ali.

Para conhecer melhor o sul da Bahia, tem também os vídeos de Cumuruxatiba e de Arraial d’Ajuda lá no canal.

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