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Viagem9 Dez 202310 min de leitura

Primeiro Curso de Mergulho: Tudo o que Você Precisa Saber

Capa do vídeo sobre o primeiro curso de mergulho, com o instrutor Nicholas e o Nando

Uma conversa com o Nicholas, da Orca Dive, sobre o curso Open Water em Búzios: como funciona, quanto custa, o batismo e o que faz um bom mergulhador.

Acabei de fazer o meu primeiro curso de mergulho, o Open Water Diver, e quis dividir essa experiência com vocês. Pra isso, sentei pra conversar com o Nicholas, o meu instrutor, criador da Orca Dive, uma escola de mergulho que atende toda a Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Falamos sobre os pré-requisitos pra fazer um curso, quanto custa, como funciona o batismo e o que muda na cabeça de quem começa a conhecer o mundo subaquático. Se você tá pensando em fazer um curso de mergulho, ou até em se especializar na área, aqui tem um bom começo.

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Informações sobre o curso

  • Curso: Open Water Diver, o curso básico da PADI.
  • Duração: no mínimo 4 dias, contando teoria, piscina e mar.
  • Mergulhos no mar: 4, divididos em dois dias.
  • O que ele permite: mergulhar até 18 metros de profundidade sem a supervisão de um instrutor, sempre em dupla ou em grupo.
  • Idade mínima: 10 anos.
  • Valor do curso com o Nicholas: em torno de R$ 2.300 a R$ 2.400, com facilidade na forma de pagamento.
  • Saída de barco para quem já é certificado: em torno de R$ 300, com dois cilindros. Em lugares como Fernando de Noronha, pode chegar a R$ 1.000.

Onde fica

Praia de Geribá, Armação dos Búzios, Rio de JaneiroAbrir no Google Maps

O Nicholas e a Orca Dive

A conversa foi na Praia de Geribá, em Búzios, entre um mergulho e outro. O Nicholas é de Niterói e vem pra Cabo Frio e Búzios dar os cursos. De formação ele é designer, mas desde novinho tem uma ligação muito grande com a natureza, principalmente com o mar. Embarcar de cabeça no mergulho foi consequência dessa paixão, e virar instrutor foi o jeito que ele encontrou de apresentar esse mundo novo pras pessoas. Ele mesmo diz que é literalmente viciado em mergulho. Se deixar, a gente fica falando disso o dia inteiro.

Nicholas, de óculos escuros e camiseta da Orca Dive, conversando com Nando numa mesa de frente para a Praia de Geribá
A conversa com o Nicholas, de frente pra Geribá.

Fazer o curso com alguém apaixonado pelo assunto fez toda a diferença. Primeiro de tudo, eu me senti muito seguro. O equipamento foi desenvolvido pra que a coisa funcione, e o curso feito da maneira correta prepara cada etapa pra te dar essa segurança. Mergulho, querendo ou não, é uma coisa séria. Mas, como o Nicholas fala, ele foi feito pra ser divertido, confortável e de lazer.

Então fica a primeira dica: se for fazer um curso, procura uma escola legal e um instrutor que goste do assunto.

Como funciona o curso básico

O curso tem três partes. A teoria te dá a base e a confiança, principalmente no equipamento. Ela pode ser presencial ou online: a gente teve um encontro online pra ele me apresentar o material.

Nicholas e Nando sentados a uma mesa de madeira, estudando o material teórico do curso
A parte teórica, com o material na mesa.

Depois vem a piscina, que é obrigatória antes do mar. Ela te dá confiança nas habilidades e mostra que sim, você é capaz de fazer tudo aquilo. A piscina é um lugar super controlado, são os chamados mergulhos em águas confinadas: se ficar em pé, a cabeça fica pra fora da água. É ali que, se aparecer algum desafio maior, a gente trabalha.

Mergulhador de máscara laranja e nadadeiras verdes flutuando no fundo de uma piscina azul
Na piscina, treinando as habilidades antes do mar.

E por último o mar, com quatro mergulhos divididos em dois dias. Se você se preparou bem na teoria e na piscina, o mar é quase tudo o que você já fez, e fica super tranquilo. Contando tudo, são no mínimo 4 dias de curso.

O que o Open permite

O Nicholas é instrutor formado e credenciado pela PADI, a certificadora de mergulho mais respeitada no Brasil e no mundo. Se você quer mergulhar em qualquer lugar do planeta, o certificado da PADI vai ser aceito. É uma escola com mais de 50 anos de atuação, que oferece todos os cursos que existem, inclusive pra quem quer seguir carreira e trabalhar na área. Esse post não é patrocinado pela PADI, mas deixo o link deles aqui: padibr.com.br.

O Open Water te habilita a mergulhar até no máximo 18 metros sem a supervisão de um instrutor. Sem supervisão não quer dizer sozinho: mergulho nunca é praticado sozinho. A gente aprende que é sempre em dupla ou em grupo, pra compartilhar a experiência e, mais do que isso, por segurança e conforto. Com o certificado, dá pra alugar um equipamento em Búzios ou em Recife e mergulhar com o seu grupo. Mesmo assim, a recomendação é sempre procurar Dive Centers de confiança do lugar, porque quem mergulha ali todo dia conhece cada cantinho, cada animal e as condições daquele ponto.

O Open também é a porta de entrada pra uma carreira de cursos e especialidades: mergulho em naufrágio, mergulho noturno, mergulho profundo. E dá pra seguir pelo lado profissional, como o Nicholas fez, com a formação de Divemaster e depois de instrutor.

Quanto custa

Mergulho não é exatamente uma atividade barata. Como em qualquer mercado, você vai achar vários valores em vários lugares, e o importante é ir a fundo, porque às vezes um valor mais baixo não entrega tudo o que um curso tem que entregar. O curso básico do Nicholas gira em torno de R$ 2.300 a R$ 2.400, com facilidade na forma de pagamento.

Pra quem já é certificado, uma saída de mergulho gira em torno de R$ 300, com a saída de barco e dois cilindros inclusos. Em lugares muito famosos pelo mergulho, como Fernando de Noronha, você paga até R$ 1.000.

Mergulhadores de roupa de neoprene vestindo o equipamento no barco, perto de um costão de pedra
Equipando no barco, antes de cair na água.

O batismo, ou Discovery Scuba Diver

Não precisa começar fazendo o curso. Uma prática muito comum é fazer um batismo primeiro, como eu fiz em outro lugar, e só depois partir pro curso. O nome que o mercado adotou é batismo, mas o nome certo é Discovery Scuba Diver, o DSD. Você não precisa de nenhuma formação: tem uma aulinha antes, você aprende os movimentos básicos e mergulha sempre acompanhado por um instrutor, com supervisão bem direta.

E aqui vale um alerta do Nicholas. Muita gente vai fazer o batismo e topa com operadoras que visam número: botar um monte de gente no barco, um monte de gente na água. Às vezes aparece uma dificuldade, como a equalização, aquela pressão no ouvido, a pessoa não sabe o que fazer, sai com uma visão totalmente negativa do mergulho e nunca mais procura um curso. Por isso, mais uma vez: procure Dive Centers e operações sérias.

Pra quem é o mergulho

O curso de mergulho é pra qualquer um que esteja disposto a conhecer um mundo totalmente novo. Nosso planeta deveria se chamar planeta água, como diz o Nicholas, e lá embaixo você conhece animais e ambientes que não veria aqui fora. Ter familiaridade com a água ajuda muito, mas quem não tem também não tem problema: isso se adquire com a confiança no curso, nos equipamentos e nas habilidades.

A idade mínima pro curso básico é 10 anos, o chamado Junior. Antes, você preenche uma ficha médica, e, dependendo do que tiver nela, pode ser preciso uma liberação médica. Fora isso, é só ter vontade de se divertir e de conhecer.

Encostar o mínimo possível

Peixe colorido nadando entre as rochas do fundo do mar, com um ouriço preso na pedra
A vida no fundo, em Búzios.

Quando a gente tá na água, sente uma conexão direta com a natureza. A gente tá num elemento que não é nosso, com um equipamento que nos permite estar ali vivendo e contemplando tudo aquilo. Ver um peixe, uma tartaruga marinha, uma moreia, um golfinho. O Nicholas chega a ficar arrepiado falando disso.

Tartaruga marinha pousada sobre uma rocha no fundo do mar, com a água azul ao redor
Uma tartaruga no caminho.

Às vezes uma tartaruga vai passar na sua frente e você vai ficar com uma vontade danada de fazer um carinho. Mas o mergulho é contemplativo: a gente encosta o mínimo possível. Se precisar encostar numa pedra, é de dedinho, só pra se empurrar. Por isso o ajuste fino da flutuabilidade, pra nunca ficar batendo no fundo. O fundo é sensível: um coral leva anos pra chegar daquele tamanho e pode quebrar num descuido, ou na ignorância de quem quer levar uma conchinha ou um pedaço de coral pra casa. Isso jamais deve ser feito.

Ouriço-do-mar de espinhos pretos ao lado de uma moreia escondida entre as rochas cobertas de algas
Um ouriço e uma moreia dividindo a mesma pedra.

Encostar em animais também é perigoso pra quem encosta. Tubarão não ataca por livre e espontânea vontade, mas existem peixes e seres vivos com mecanismos de defesa, uma mordida, uma ferroada, quase sempre porque o mergulhador não soube respeitar o espaço do animal.

E tem o lixo. Dependendo do ponto de mergulho, a gente vê muito lixo, e às vezes o mergulho vira ir catando e fazendo a nossa parte. Mas com cuidado: muito lixo que tá no fundo já tem vida associada, e o dano de retirar pode ser maior do que deixar. Essa consciência vale pra vida, não só debaixo d'água.

A piscina e as operadoras

A aula de piscina foi na Pousada Pontal da Ferradura, em Búzios, uma pousada no meio do verde com uma piscina semiolímpica, com uma profundidade boa pra testar todas as habilidades do jeito que tem que ser. Valeu, André.

Placa da Pousada Pontal Ferradura na beira da estrada, com mata e morros ao fundo
A pousada onde fizemos a aula de piscina.

A parte de mar foi com operadoras que são amigas do Nicholas: em Cabo Frio saímos com a Alpha Divers, do Cassiano, e em Búzios com a Búzios Divers, da Paula. Equipamento novo, guias capacitados, embarcações bem conservadas.

A operação em Búzios funciona assim: antes de os alunos chegarem, a equipe já separou todo o equipamento na base. O barco sai por volta das 8 da manhã e normalmente vai pra Ilha de Âncora ou pra Laje do Cavalo Marinho, em João Fernandes, e volta por volta de 1 da tarde. No verão tem duas saídas por dia, e às vezes mergulho noturno. Eles atendem todos os níveis, do batismo aos mergulhadores certificados.

Proa de um barco de mergulho navegando em direção a uma ilha coberta de mata
A caminho do ponto de mergulho.

A equipe da Búzios Divers resumiu bem: mergulho é qualidade de vida, é trabalhar com o que se ama e ter uma experiência diferente todo dia, mesmo mergulhando no mesmo lugar, porque a vida marinha e a condição da água mudam o tempo todo. Quando cai na água, os problemas ficam aqui fora, e você entra num silêncio quase meditativo. Tem cliente que sai da água chorando de felicidade e, no mesmo dia, já marca o curso.

O que faz um bom mergulhador

Perguntei pro Nicholas o que diferencia um mergulhador amador de um bom mergulhador. A resposta: o controle da flutuabilidade. Eu também não entendia no começo. Imagina que você tá a 10 metros de profundidade, com pedra, areia e outros mergulhadores em volta: você precisa saber se esquivar. A ideia é chegar naquele equilíbrio em que você nem tá boiando nem afundando, e não tá brigando com o equipamento.

Dois mergulhadores com cilindros nas costas nadando perto do fundo, na água verde-azulada
Devagar, quase em câmera lenta.

Mergulho tem que ser relaxante e divertido. Se for qualquer coisa fora disso, tem alguma coisa errada. É fazer o mínimo esforço possível, sem pressa, porque ninguém tá apostando corrida. A dica dele: foca na sua flutuabilidade e no seu conforto na água. Lá embaixo é tudo muito devagar, quase em câmera lenta. Até a percepção muda: com a refração da luz na água, as coisas parecem maiores e mais próximas do que são. Tem muita física envolvida, densidade, pressão, volume, coisas boas de levar pra vida também.

A formatura

No fim, o Nicholas contou que eu tinha tido só um contato com o mergulho, o batismo, e que no nosso último mergulho, em Âncora, eu já estava super tranquilo, com a flutuabilidade afinada. Eu senti claramente essa evolução de um mergulho pro outro, a tranquilidade pra fazer os movimentos e pra me locomover. Os padrões do curso foram feitos pra isso.

Na véspera, a Tati, esposa do Nicholas e parceira dele na Orca, veio de Niterói pra Cabo Frio só pra mergulhar com a gente. Desse mergulho saíram imagens com muita tartaruga e muito peixe colorido.

É claro que eu sou totalmente iniciante. Mas foi muito legal, e eu recomendo. Se você quiser fazer o curso, fala com o Nicholas pela Orca Dive e avisa que foi o Nando que indicou.

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