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Viagem3 Fev 20247 min de leitura

O Amanhecer no Peito do Pombo, Arraial do Sana, Rio de Janeiro

Capa do relato da trilha noturna até o Peito do Pombo, em Arraial do Sana, Rio de Janeiro

Uma trilha de madrugada até o Peito do Pombo, em Arraial do Sana: 16 km, 9 horas de caminhada e um nascer do sol que valeu cada segundo.

Já imaginou fazer uma trilha de madrugada para ver o nascer do sol do alto das montanhas?

Nesta aventura, levamos você para conhecer o famoso Peito do Pombo, localizado em Arraial do Sana, um vilarejo do município de Macaé, no Rio de Janeiro. Foram 4 horas e meia de subida e mais 4 horas e meia de descida, totalizando 16 km em 9 horas de caminhada. Cada etapa apresenta diferentes níveis de dificuldade: erramos o caminho, caímos de cara no chão e ficamos totalmente sem bateria nos celulares. Mas o esforço vale cada segundo.

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Informações sobre a trilha

  • Onde fica: Arraial do Sana, vilarejo de Macaé, no Rio de Janeiro.
  • Distância: 16 km (ida e volta), 8 km para cada lado.
  • Duração: 9 a 10 horas ao todo (incluindo subida e descida).
  • Horário: saímos de madrugada e chegamos ao topo por volta das 4:30, com o sol começando a aparecer.
  • Guia: não é obrigatório. Os grupos com guia saem por cerca de R$ 150 por pessoa; fomos só nós três, seguindo um mapa baixado no Strava.
  • O que levar: calçado forte, chinelo para a volta, bastante água, comida e mais de uma lanterna.
  • Nível de dificuldade: Difícil, com travessias por córregos de água em meio às pedras, solo danificado pelas chuvas e animais e momentos muito íngremes que exigem escalada leve e duas subidas de corda.

Onde fica

Peito do Pombo, Arraial do Sana, Macaé, Rio de JaneiroAbrir no Google Maps

O plano

Todas as pessoas que vão para Arraial do Sana comentam sobre a desafiadora trilha para conhecer o Peito do Pombo. Eu e Nina não queríamos perder essa experiência. Foi aí que conheci o Bruno e Camila, no Camping Beira Rio, em Arraial do Sana, onde passamos alguns dias acampados. Ficamos dois dias e duas noites ali, pertinho, conversando, e de cara fizemos uma amizade muito legal. Mantemos o contato até hoje. Uma semana depois, estávamos fazendo a trilha juntos.

A ideia era pegar o nascer do sol lá em cima, fazer umas fotos, umas imagens de drone bem bonitas e aproveitar o dia, obviamente.

Vale destacar que o Bruno já havia feito a trilha completa outra vez, durante o dia, e por isso nos sentimos seguros para subir sem o acompanhamento de um grupo. Os grupos grandes, com guia, custam perto de R$ 150 por pessoa, e a gente não queria gastar esse dinheiro. Caso você não tenha companhia para fazer a trilha, recomendo ir com um grupo, e aqui vai uma dica valiosa: Entre em contato com o Liniker Fraga através do perfil @trekkingsanarj. Liniker foi um amigão que fiz por lá, e ele leva grupos de diferentes tamanhos para conhecer o Peito do Pombo.

Os preparativos

Para encarar essa trilha, é recomendado ir com um calçado forte e confortável, e eu sugiro também levar um chinelo para a volta. É importantíssimo também levar boa quantidade de água, coisinhas para comer no caminho, e lanternas. O trecho final da trilha é super escuro por conta da mata mais fechada. Leve mais de uma opção de lanterna para não correr o risco de acabar a bateria/pilhas.

A primeira etapa é de caminhada

Nando, Bruno e Camila agachados na trilha escura, iluminados por lanternas, fazendo carinho na Nina
De madrugada, no começo da trilha.

A primeira etapa foi a mais tranquila, cerca de uma hora de caminhada leve, com subida suave, até o primeiro “checkpoint”, na primeira porteira. A Nininha já conhecia o caminho. Nosso plano foi seguir um caminho de GPS que o Bruno tinha baixado no Strava. Não dava pra ver nada, mas o vale ao redor era maravilhoso, mesmo de madrugada.

Parada na Casa do Zezinho

Na semana anterior, o Bruno e a Camila me convidaram para fazer essa parte inicial da trilha e visitar um amigo deles: um senhor chamado Zezinho, de 70 anos, que mora em uma casa sem energia elétrica no meio do vale. Ele nos recebeu com um café e contou que todos os materiais de construção foram trazidos de mula devido à inacessibilidade da área. Ali não tem como chegar de carro, muito menos de caminhão; alguns moradores fazem o trajeto de moto. Sim, imagina essa cena.

Casa simples de telhado de zinco no meio de um vale verde, com cachorros no caminho de terra
A casa do Zezinho, no meio do vale.

A casa é super simples, mas logo do lado existe uma nascente de água cristalina. Na parte de fora tem uma torneira de água corrente que fica aberta o tempo todo, com água pronta para beber. Esse vale, durante o dia, era maravilhoso.

Água cristalina caindo de uma torneira presa na pedra dentro de uma panela
A torneira que nunca fecha.

Trechos Escorregadios e Erosão

Voltando à trilha noturna, passamos por um trecho que nem eu nem a Nina conhecíamos ainda. Tinha muito esterco de cavalo no chão, era um verdadeiro campo minado, hahaha. Seguimos atravessando uma segunda porteira e um pequeno córrego. Essas travessias podem parecer perigosas, mas o fluxo de água estava bem tranquilo: basta ter calma e pisar nas pedras certas. Como eu estava com a câmera mais pesada, a Camila me ajudou em alguns momentos.

Camila estende a mão no escuro, com uma lanterna, para ajudar na travessia de um córrego entre pedras
A Camila ajudando na travessia do córrego.

Com mais ou menos uma hora e meia de caminhada, paramos para descansar e tomar uma água. Depois passamos por áreas onde o solo estava erodido pela chuva e pelos animais que passam por ali, formando passagens no meio de valas enormes. O chão estava seco e escorregadio, tornando a caminhada mais desafiadora.

Desafios da Segunda Parte da Trilha

O solo ficou ainda mais íngreme e coberto por raízes de árvores. Em alguns momentos, parecia uma escalada, segurando nas árvores para se puxar. Erramos o caminho duas vezes por conta da escuridão, mas a Nina, com seus olhos brilhando no escuro, nos conduziu de volta à trilha correta. O segredo é não entrar em pânico!

Às 3 da manhã fizemos uma pausa rápida para comer uma bananinha. Já tínhamos caminhado 7 km, no meio da mata. A última hora de trilha foi, sem dúvida, a parte mais difícil: o terreno ficou ainda mais íngreme e danificado pela erosão, com várias árvores derrubadas e raízes expostas, o que tornava perigoso enganchar o pé e cair de mau jeito.

Nascer do Sol no Topo

O trecho final exigiu contornar uma pedra enorme, bem difícil de enxergar só com a luzinha de cabeça, e enfrentar duas subidas com corda. Nina foi a primeira a chegar ao topo, claro. Chegamos ao topo às 4:30 da manhã, e o sol começava a aparecer no horizonte. Dois grupos grandes de pessoas, que subiram antes da gente, já estavam lá descansando.

Silhueta do Peito do Pombo contra o céu rosado do amanhecer, sobre as montanhas
O Peito do Pombo contra o céu do amanhecer.

Ver o sol nascer lentamente no horizonte foi extraordinário. Em questão de poucos minutos o sol já tinha se levantado, e foi o tempo de fazer algumas imagens aéreas. Achei incrível a mudança de iluminação que acontece no céu e, consequentemente, nas pedras.

Vista de drone, de cima, do topo da montanha cercado de mata, com um grupo de pessoas sobre a pedra
Os grupos que chegaram antes, vistos do drone.
Céu alaranjado e roxo do nascer do sol sobre uma sequência de montanhas pontudas
O sol chegando por trás das montanhas.

Misticismo do Peito do Pombo

Existe toda uma mística por trás do Peito do Pombo por conta da posição dele: ele fica bem no meio das três “pirâmides do Sana”, que são montanhas realmente em formato de pirâmides. É impressionante imaginar como as duas pedras do Peito do Pombo foram se posicionar dessa forma, nesse exato lugar, encaixadas, formando de fato a figura do peito de um pombo. A natureza realmente é impressionante.

A pedra do Peito do Pombo, equilibrada sobre outra rocha, iluminada pelo sol da manhã entre árvores
O Peito do Pombo com a luz do dia.
Montanha em forma de pirâmide recortada contra o céu claro da manhã
Uma das pirâmides do Sana.

A trilha é considerada de nível difícil, mas claro que depende do condicionamento físico de cada pessoa. Eu me considero uma pessoa ativa fisicamente, mas nunca tinha feito uma trilha tão longa e no escuro. Foi bem cansativo, mas o esforço valeu cada segundo por essa vista maravilhosa.

Ficamos cerca de 40 minutos lá em cima, apreciando a vista. Fiz imagens aéreas com o Drone também. Foi incrível. Na hora de pousar, o drone escorregou na pedra e quebrou duas hélices, mas nada grave: eu tinha hélices para repor. Às vezes, pra fazer essas imagens, a gente corre um risco com os equipamentos. Faz parte. Saímos cedo para não pegar o sol muito forte na volta.

Desafio da Descida

Pra falar bem a verdade, acredito que a descida foi mais difícil do que a subida. O solo era íngreme e escorregadio, com uns degraus enormes por causa das raízes. Nina encontrou caminhos alternativos, mostrando sua habilidade: nos trechos com corda, ela sempre achava um jeito mais fácil de passar, e ter quatro patas ajuda muito. Ela foi melhor do que todos nós, e já estava acostumada, porque eu já tinha feito outras trilhas longas com ela.

O Peito do Pombo no alto de uma montanha coberta de mata, visto de baixo durante a descida
Na descida, o Peito do Pombo visto de outro ângulo.

Ao longo da descida, foi muito bonito ver outros ângulos do Peito do Pombo que não era possível ver à noite, e o nível do caminho que a gente tinha subido no escuro. Todos nós já bem cansados. Fiquei sem bateria na câmera, e às 7 da manhã já tinha tirado os tênis. Os pés, joelhos e dedos começavam a doer.

Bruno escorregou e caiu no chão duas vezes. Eu consegui cair de cara uma vez também, uma hora que a Nina passou voando do meu lado e me empurrou. Paramos várias vezes para hidratar, tirar os calçados, descansar um pouco e sentir o som da natureza.

Chegada ao Fim da Trilha

Chegamos de volta ao camping por volta das 10:40 da manhã, completamente exaustos, sem bateria nos celulares, e a Nininha completamente morta. Essa trilha noturna foi desafiadora, mas recompensadora. Cada passo valeu a vista e a experiência. Super recomendo!

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