
Uma trilha de madrugada até o Peito do Pombo, em Arraial do Sana: 16 km, 9 horas de caminhada e um nascer do sol que valeu cada segundo.
Já imaginou fazer uma trilha de madrugada para ver o nascer do sol do alto das montanhas?
Nesta aventura, levamos você para conhecer o famoso Peito do Pombo, localizado em Arraial do Sana, um vilarejo do município de Macaé, no Rio de Janeiro. Foram 4 horas e meia de subida e mais 4 horas e meia de descida, totalizando 16 km em 9 horas de caminhada. Cada etapa apresenta diferentes níveis de dificuldade: erramos o caminho, caímos de cara no chão e ficamos totalmente sem bateria nos celulares. Mas o esforço vale cada segundo.
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Informações sobre a trilha
- Onde fica: Arraial do Sana, vilarejo de Macaé, no Rio de Janeiro.
- Distância: 16 km (ida e volta), 8 km para cada lado.
- Duração: 9 a 10 horas ao todo (incluindo subida e descida).
- Horário: saímos de madrugada e chegamos ao topo por volta das 4:30, com o sol começando a aparecer.
- Guia: não é obrigatório. Os grupos com guia saem por cerca de R$ 150 por pessoa; fomos só nós três, seguindo um mapa baixado no Strava.
- O que levar: calçado forte, chinelo para a volta, bastante água, comida e mais de uma lanterna.
- Nível de dificuldade: Difícil, com travessias por córregos de água em meio às pedras, solo danificado pelas chuvas e animais e momentos muito íngremes que exigem escalada leve e duas subidas de corda.
Onde fica
O plano
Todas as pessoas que vão para Arraial do Sana comentam sobre a desafiadora trilha para conhecer o Peito do Pombo. Eu e Nina não queríamos perder essa experiência. Foi aí que conheci o Bruno e Camila, no Camping Beira Rio, em Arraial do Sana, onde passamos alguns dias acampados. Ficamos dois dias e duas noites ali, pertinho, conversando, e de cara fizemos uma amizade muito legal. Mantemos o contato até hoje. Uma semana depois, estávamos fazendo a trilha juntos.
A ideia era pegar o nascer do sol lá em cima, fazer umas fotos, umas imagens de drone bem bonitas e aproveitar o dia, obviamente.
Vale destacar que o Bruno já havia feito a trilha completa outra vez, durante o dia, e por isso nos sentimos seguros para subir sem o acompanhamento de um grupo. Os grupos grandes, com guia, custam perto de R$ 150 por pessoa, e a gente não queria gastar esse dinheiro. Caso você não tenha companhia para fazer a trilha, recomendo ir com um grupo, e aqui vai uma dica valiosa: Entre em contato com o Liniker Fraga através do perfil @trekkingsanarj. Liniker foi um amigão que fiz por lá, e ele leva grupos de diferentes tamanhos para conhecer o Peito do Pombo.
Os preparativos
Para encarar essa trilha, é recomendado ir com um calçado forte e confortável, e eu sugiro também levar um chinelo para a volta. É importantíssimo também levar boa quantidade de água, coisinhas para comer no caminho, e lanternas. O trecho final da trilha é super escuro por conta da mata mais fechada. Leve mais de uma opção de lanterna para não correr o risco de acabar a bateria/pilhas.
A primeira etapa é de caminhada

A primeira etapa foi a mais tranquila, cerca de uma hora de caminhada leve, com subida suave, até o primeiro “checkpoint”, na primeira porteira. A Nininha já conhecia o caminho. Nosso plano foi seguir um caminho de GPS que o Bruno tinha baixado no Strava. Não dava pra ver nada, mas o vale ao redor era maravilhoso, mesmo de madrugada.
Parada na Casa do Zezinho
Na semana anterior, o Bruno e a Camila me convidaram para fazer essa parte inicial da trilha e visitar um amigo deles: um senhor chamado Zezinho, de 70 anos, que mora em uma casa sem energia elétrica no meio do vale. Ele nos recebeu com um café e contou que todos os materiais de construção foram trazidos de mula devido à inacessibilidade da área. Ali não tem como chegar de carro, muito menos de caminhão; alguns moradores fazem o trajeto de moto. Sim, imagina essa cena.

A casa é super simples, mas logo do lado existe uma nascente de água cristalina. Na parte de fora tem uma torneira de água corrente que fica aberta o tempo todo, com água pronta para beber. Esse vale, durante o dia, era maravilhoso.

Trechos Escorregadios e Erosão
Voltando à trilha noturna, passamos por um trecho que nem eu nem a Nina conhecíamos ainda. Tinha muito esterco de cavalo no chão, era um verdadeiro campo minado, hahaha. Seguimos atravessando uma segunda porteira e um pequeno córrego. Essas travessias podem parecer perigosas, mas o fluxo de água estava bem tranquilo: basta ter calma e pisar nas pedras certas. Como eu estava com a câmera mais pesada, a Camila me ajudou em alguns momentos.

Com mais ou menos uma hora e meia de caminhada, paramos para descansar e tomar uma água. Depois passamos por áreas onde o solo estava erodido pela chuva e pelos animais que passam por ali, formando passagens no meio de valas enormes. O chão estava seco e escorregadio, tornando a caminhada mais desafiadora.
Desafios da Segunda Parte da Trilha
O solo ficou ainda mais íngreme e coberto por raízes de árvores. Em alguns momentos, parecia uma escalada, segurando nas árvores para se puxar. Erramos o caminho duas vezes por conta da escuridão, mas a Nina, com seus olhos brilhando no escuro, nos conduziu de volta à trilha correta. O segredo é não entrar em pânico!
Às 3 da manhã fizemos uma pausa rápida para comer uma bananinha. Já tínhamos caminhado 7 km, no meio da mata. A última hora de trilha foi, sem dúvida, a parte mais difícil: o terreno ficou ainda mais íngreme e danificado pela erosão, com várias árvores derrubadas e raízes expostas, o que tornava perigoso enganchar o pé e cair de mau jeito.
Nascer do Sol no Topo
O trecho final exigiu contornar uma pedra enorme, bem difícil de enxergar só com a luzinha de cabeça, e enfrentar duas subidas com corda. Nina foi a primeira a chegar ao topo, claro. Chegamos ao topo às 4:30 da manhã, e o sol começava a aparecer no horizonte. Dois grupos grandes de pessoas, que subiram antes da gente, já estavam lá descansando.

Ver o sol nascer lentamente no horizonte foi extraordinário. Em questão de poucos minutos o sol já tinha se levantado, e foi o tempo de fazer algumas imagens aéreas. Achei incrível a mudança de iluminação que acontece no céu e, consequentemente, nas pedras.


Misticismo do Peito do Pombo
Existe toda uma mística por trás do Peito do Pombo por conta da posição dele: ele fica bem no meio das três “pirâmides do Sana”, que são montanhas realmente em formato de pirâmides. É impressionante imaginar como as duas pedras do Peito do Pombo foram se posicionar dessa forma, nesse exato lugar, encaixadas, formando de fato a figura do peito de um pombo. A natureza realmente é impressionante.


A trilha é considerada de nível difícil, mas claro que depende do condicionamento físico de cada pessoa. Eu me considero uma pessoa ativa fisicamente, mas nunca tinha feito uma trilha tão longa e no escuro. Foi bem cansativo, mas o esforço valeu cada segundo por essa vista maravilhosa.
Ficamos cerca de 40 minutos lá em cima, apreciando a vista. Fiz imagens aéreas com o Drone também. Foi incrível. Na hora de pousar, o drone escorregou na pedra e quebrou duas hélices, mas nada grave: eu tinha hélices para repor. Às vezes, pra fazer essas imagens, a gente corre um risco com os equipamentos. Faz parte. Saímos cedo para não pegar o sol muito forte na volta.
Desafio da Descida
Pra falar bem a verdade, acredito que a descida foi mais difícil do que a subida. O solo era íngreme e escorregadio, com uns degraus enormes por causa das raízes. Nina encontrou caminhos alternativos, mostrando sua habilidade: nos trechos com corda, ela sempre achava um jeito mais fácil de passar, e ter quatro patas ajuda muito. Ela foi melhor do que todos nós, e já estava acostumada, porque eu já tinha feito outras trilhas longas com ela.

Ao longo da descida, foi muito bonito ver outros ângulos do Peito do Pombo que não era possível ver à noite, e o nível do caminho que a gente tinha subido no escuro. Todos nós já bem cansados. Fiquei sem bateria na câmera, e às 7 da manhã já tinha tirado os tênis. Os pés, joelhos e dedos começavam a doer.
Bruno escorregou e caiu no chão duas vezes. Eu consegui cair de cara uma vez também, uma hora que a Nina passou voando do meu lado e me empurrou. Paramos várias vezes para hidratar, tirar os calçados, descansar um pouco e sentir o som da natureza.
Chegada ao Fim da Trilha
Chegamos de volta ao camping por volta das 10:40 da manhã, completamente exaustos, sem bateria nos celulares, e a Nininha completamente morta. Essa trilha noturna foi desafiadora, mas recompensadora. Cada passo valeu a vista e a experiência. Super recomendo!
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