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Viagem1 Jun 202411 min de leitura

Do Rio Grande do Sul à Bahia: Os Primeiros 5.000km de Viagem

Subaru Forester adaptado em carro-casa na estrada, capa dos primeiros 5.000 km de viagem pelo Brasil

De Porto Alegre até a Bahia: os primeiros 5.000 km da viagem, a transformação do Subaru Forester em carro-casa e os perrengues e paraísos do caminho.

Oi amigos!

Hoje compartilho com vocês um pouco dos destaques que vivenciamos nessa primeira fase viajando pelo Brasil.

Para os curiosos: saímos de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e passamos por alguns estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo até chegar na Bahia.

Viajar pelo Brasil tem sido a experiência mais transformadora da minha vida.

Hoje, felizmente, posso compartilhar com vocês que alcançamos a marca dos 5.000 km rodados, com nosso carro já marcando 182.000 km no hodômetro. No dia 27 de julho de 2023, quando eu e a Nina saímos de Porto Alegre, reiniciei o contador de quilometragem para acompanhar nosso progresso.

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Informações sobre o carro e a rota

  • Carro: Subaru Forester 2011, modelo XS, motor Boxer.
  • Saída: Porto Alegre, 27 de julho de 2023, eu e a Nina.
  • Rota: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
  • Quilometragem: 5.000 km de viagem, com o carro marcando 182.000 km.
  • Transformação: três meses de trabalho e cerca de R$ 7.000, sem gastar nada com mão de obra.
  • Estradas: asfalto de Porto Alegre até Vitória; chão batido para chegar nas praias do sul da Bahia.

Sobre o nosso carro-casa: um Subaru Forester

Estamos viajando em um Subaru Forester 2011, o modelo XS, com motor Boxer. Comprei esse carro em 2021 pelo valor de R$ 44.000. No momento da compra, o carro tinha 163.000 km rodados, mas senti que estava em excelentes condições. Gastei cerca de R$ 5.000 a R$ 6.000 em manutenções preventivas, o que casou perfeitamente com o investimento de R$ 50.000,00 que eu estava disposto a fazer naquele momento.

Vista aérea do Subaru Forester prata, com bagageiro no teto, numa estrada de areia entre a vegetação
O nosso carro-casa na estrada de chão.

Um pouco sobre a história da Subaru

Para quem não conhece, a Subaru foi uma das primeiras marcas automobilísticas japonesas, fundada em 1953. A marca se tornou famosa pela performance de seus carros em competições de rally, destacando-se pela tração integral nas quatro rodas e uma excelente posição para dirigir.

Uma Revolução na Indústria Automobilística

Em 1972, a Subaru lançou o Leone 4×4, o primeiro carro de produção em série com tração integral permanente no mundo. Essa inovação revolucionou a indústria automobilística, abrindo caminho para novos modelos e conquistando um lugar de destaque para a Subaru no mercado de SUVs.

Na estrada, eu tô achando ele um carro muito forte, muito seguro e muito confortável, além de ter muito espaço interno.

Inspiração para a Transformação

Sempre gostei de viajar e acampar em meio à natureza, o que me levou a pesquisar sobre todos os tipos de transformações em veículos. Encontrei várias referências de pessoas que adaptaram seus próprios Subaru Forester nos Estados Unidos e na Europa, como a Allison Anderson, uma criadora de conteúdo canadense que viajou bastante com um Forester. Com base nisso, decidi que seria possível viver dentro do carro com algum conforto.

Escolhi transformar o Subaru porque eu já tinha o carro. Não precisaria trocar ele, nem pensar numa van ou em outro carro maior, e eu não queria ter o trabalho de vender o carro para comprar outro e só aí pensar na transformação. E o principal: eu queria gastar o mínimo possível.

E como foi a transformação?

Foram três meses de trabalho para concluir a transformação do carro. Comecei com rabiscos no papel, tirei todas as medidas possíveis com a trena, depois passei tudo para um software de web design chamado Figma. Ao longo do processo fiz também uma lista enorme com todos os itens desejados e, aos poucos, fui construindo o nosso carro casa 🙂

Mão desenhando com caneta o projeto da estrutura de madeira em folhas de papel, ao lado de um notebook e canetas coloridas
Tudo começou com rabiscos no papel.

Os três bancos traseiros eu tirei logo no começo: aproveitei que precisava levar o carro no mecânico para trocar as pastilhas de freio e pedi para ele tirar os bancos. Depois disso, fiquei várias horas na garagem olhando o carro de vários ângulos, tirando medidas e anotando, até chegar num desenho que me deixou satisfeito.

O Figma não é um software específico para esse tipo de desenho, mas eu acho ele muito intuitivo, e além de tudo é gratuito. Eu desenho cada peça pensando em milímetros e escrevo a medida em cima dela. Assim, quando mando o desenho para a madeireira, eles já sabem exatamente o tamanho de cada corte.

Desenho no Figma da vista superior do carro, com a plataforma de madeira dividida em três partes atrás dos bancos da frente e a medida de 1860 mm
A vista superior do projeto no Figma.

Com os bancos da frente totalmente deitados para a frente, o carro tem 1,86 m de comprimento livre. Dividi a plataforma em três partes: uma de 1 m, que vai do porta-malas até onde começavam os bancos traseiros, uma central, e uma de 340 mm que só uso quando os bancos estão virados para a frente. Essa última dobra para cima na hora de dirigir. A plataforma eleva o piso em 18 cm, e é ali embaixo que ficam os gavetões, de 73 cm de profundidade, com corrediças telescópicas. Desenhar gaveta foi a parte mais difícil: nunca tinha feito uma.

O colchão sob medida tem 1,86 m, exatamente o comprimento das madeiras. Como eu tenho 1,70 m, sobra um espacinho para a Nina, que eu tinha quase certeza que ia dormir nos meus pés.

Aqui vai uma dica importante para quem quer fazer algum móvel de madeira:

Todos os móveis que eu já desenhei e produzi até hoje, utilizei madeiras encomendadas pela Madelei, uma madeireira super reconhecida por qualidade e bons preços em Porto Alegre e região. Mandei o projeto para eles, e eles levam mais ou menos uns 10 dias para entregar as madeiras todas cortadinhas.

De forma resumida, acredito que as grandes modificações que fiz no carro foram essas:

  • Retirei os três bancos traseiros;
  • Montei uma estrutura de madeira com dois gavetões e uma cama;
  • Instalei uma geladeira portátil e um esquema de tomadas;
  • Criei um armário para roupas e outros itens

A geladeira portátil abre numa gavetinha lateral, e do lado dela fica o esquema de tomadas. Do outro lado é onde fica o armário, com as roupas e outros itens.

Pessoa limpando a plataforma de madeira montada no porta-malas aberto do Subaru, com os dois gavetões embaixo
A plataforma de madeira e os dois gavetões.

Custos de Transformação

Foram aproximadamente R$ 7.000,00 de investimento para transformar o carro. Eu sei, pode parecer muito, mas quando a gente começa a pesquisar mais sobre o assunto, percebemos o valor de cada item de acampamento. Só pra vocês terem ideia, sabe aquela barraca de teto que a gente vê nos carros? Uma dessa custa em torno de R$ 12 mil reais. Por conta disso, eu acredito que o meu investimento de R$ 7 mil valeu super a pena 🙂

Aqui os detalhes pra vocês:

  • Madeira: R$ 2.000
  • Colchão sob medida: R$ 1.000
  • Geladeira portátil: R$ 1.600
  • Toldo retrátil: R$ 1.800

O resto foi nas corrediças dos gavetões, em parafusos e outros acessórios necessários.

Um ponto positivo é que não gastei nada com mão de obra, pois fiz tudo eu mesmo, com a ajuda do meu pai. Eu desenhei o projeto, e juntos lixamos todas as madeiras e fizemos os cortes. Se você tem a possibilidade de fazer a própria transformação no seu carro, faça! Felizmente meu pai tem algumas ferramentas na garagem, e isso possibilitou encarar essa transformação.

O Subaru estacionado num pátio com o porta-malas aberto e os gavetões de madeira à mostra, e a Nina sentada em primeiro plano
O carro pronto, e a Nina de olho.

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Desafios na Estrada

Pra mim, dirigir é a parte mais tensa da viagem. É o momento em que estamos mais vulneráveis: o carro empacotado, cheio de coisa, e a Nina junto. Se fura um pneu, eu vou ter que parar ali com ela dentro do carro. Andar devagar é o primeiro item da lista de segurança. Procuro manter sempre uma velocidade média constante, de 90 a 95 km/h no asfalto e 40km/h em estradas de chão. Até agora, não tivemos nenhum problema mecânico e não precisei trocar nenhum pneu, mas a estrada pode sempre nos surpreender.

Condições das Estradas

De Porto Alegre a Vitória, dirigimos principalmente por estradas asfaltadas. Na Bahia, enfrentamos trechos de chão batido para acessar praias como Cumuruxatiba, Caraíva e Trancoso. Estas estradas podem ser complicadas, com buracos e pedras, exigindo mais atenção. Toda aquela região do sul da Bahia é de muita areia e muita terra, e o carro inteiro vai tremendo.

Vista aérea de uma estrada de chão fazendo curvas no meio da mata, com o carro pequeno lá embaixo
Estrada de chão na Bahia.

Dificuldades com GPS

Uma das maiores dificuldades foi chegar a Caraíva, onde me perdi por estradas de terra, resultando em um trajeto 70 km mais longo. Eu não sabia que Caraíva só dá para chegar de carro vindo do sul. Vindo do norte, você deixa o carro num estacionamento e atravessa de canoa. Eu saí de Cumuruxatiba, voltei para a BR-101, perdi uma das entradas e, como queria entrar com o carro, tive que dar uma voltona por estrada de chão, sem sinal. Uma viagem que era para durar 2 ou 3 horas acabou durando 5 ou 6. Não foi nada grave, e deu tudo certo no final das contas.

Conhecer as características das estradas baianas, como a BA-001, pode ajudar a evitar esses contratempos. A única estrada inteira de asfalto é a BR-101. A BA-001 é de asfalto, mas não corta todas as cidades do litoral: ela acaba em alguns pontos e aí vira tudo estrada de chão.

Aspectos Negativos de Viajar

Viajar constantemente pode ser exaustivo. Estamos sempre em movimento e incertos sobre o que encontraremos nos novos lugares, e se vamos ser bem recebidos. Um momento negativo foi em Búzios, em um hostel chamado Eco Palace Hostel. O Hostel em si era super legal, um casarão com portas e janelas enormes, muitos ambientes comuns e bastante natureza na volta.

O ponto negativo era o dono, que mantinha uma música alta o tempo inteiro sem necessidade, tratava mal os hóspedes, e em especial: tratava mal os voluntários e pessoas que trabalham por lá. Fiquei uma semana e queria ficar mais, mas ele reclamou da Nina e não quis renovar a minha estadia. Acabei indo para outro lugar.

E os acampamentos?

Encontrar lugares adequados para estacionar e acampar pode ser difícil, muitas vezes dependemos da boa vontade das pessoas. Em Caraíva, rodei por todas as ruazinhas onde entra carro, que são de areião bem alto. Os campings que eu achava no Google Maps ou não existiam, ou não aceitavam pet, ou não entrava carro. Por fim, encontrei uma pousada perto da beira da praia, um pouco afastada do centro, com um terreno vazio, só com coqueiros, grama e areia, onde poderia estacionar e acampar, pagando uma diária pequena. Os donos foram super simpáticos, me deram energia elétrica e eu podia usar os banheiros da pousada.

O Subaru estacionado na areia entre coqueiros, com o porta-malas e as portas abertos e os gavetões à mostra
Com o carro, é só chegar e montar a cama.

Em Itacaré, tive que acampar em uma barraca, o que foi cansativo e menos prático do que dormir no carro. Cheguei na cidade umas 5 da tarde, já escurecendo, e os campings que eu tinha visto no Google Maps não aceitavam carro: eram para quem chega de mochilão e barraquinha. Precisei tirar um monte de coisa de dentro do carro e montar a barraca, enquanto no carro é só chegar, conectar na tomada, preparar a cama e pronto.

Barraca laranja sendo montada num camping entre árvores e coqueiros, com a Nina deitada na areia ao lado
A primeira noite de barraca, em Itacaré.

Fiquei três noites na barraca. A chuva molhava tudo à noite, fui para outro camping dormir no carro, mas era muito afastado, e por fim, aluguei um apartamento por 15 dias para maior conforto e privacidade. Gastei um pouco mais, mas eu precisava lavar roupa, cozinhar e trabalhar direito, e tá sendo maravilhoso. Morar no carro é legal, é divertido, mas às vezes a gente acaba num stress que não é tão legal.

Aspectos Positivos de Viajar

Viajar proporciona muitas experiências positivas. Conhecemos belezas naturais, lugares novos e pessoas diferentes. Um dos pontos altos foi a passagem de Ano Novo em Itaúnas, com suas dunas impressionantes e praias lindas.

Benefícios de viajar sozinho

Viajar sozinho permite flexibilidade e um aprendizado diário sobre nós mesmos. Sinto que temos mais tempo para refletir e fazer o que realmente desejamos, embora alguns momentos sejam mais solitários. Tem dias em que não conheço ninguém na cidade e acabo deixando de fazer algum passeio, porque nem sempre a gente acorda disposto a desbravar o mundo. Viajar sozinho tem sido um exercício de entender os momentos em que eu quero ser produtivo, trabalhando, editando e escrevendo, e reconhecer os momentos em que eu só quero ficar deitado vendo uma série.

Pelo fato de ter a Nina, sinto que a nossa rotina de caminhadas mantém um senso de normalidade e conexão com o ambiente em que estamos. Seja num apartamento ou vivendo no carro, eu sempre caminho com ela de manhã e no final da tarde, e é o momento de ver as pessoas na rua e o movimento da cidade. Isso é super positivo.

A Nina deitada na grama à beira de um rio, olhando a água no fim da tarde
A Nina, minha companheira de caminhadas.

Conhecendo pessoas e lugares diferentes

Conheci muitos outros viajantes, como uma colombiana com um gatinho e um casal de franceses. Esse compartilhamento de experiências é enriquecedor. Visitei muitos destinos que não teria conhecido de outra forma, como o litoral do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Cada local tem uma beleza única e suas próprias características.

No Rio, conheci Arraial do Cabo, Cabo Frio, Búzios e também o Sana, na serra. No Espírito Santo, passei por Guarapari, Vitória e Itaúnas. As dunas de Itaúnas são quase um deserto, e a cidade é conhecida como a capital do forró. Na virada do ano, assisti a um show que eu nem esperava: o Mestrinho, no Buraco do Tatu. Foi incrível.

Banda de branco tocando sanfona e guitarra num palco com luzes verdes e vermelhas, diante do público
O show do Mestrinho na virada, em Itaúnas.

Cheguei na Bahia em janeiro e já estou aqui há uns 4 meses. O litoral inteiro é muito bonito, tem muitas praias, e cada lugar tem as suas peculiaridades.


Em suma, essa jornada de 5.000 km pelo Brasil tem sido uma mistura de perrengues e paraísos. A estrada nos oferece momentos inesquecíveis e um grande crescimento pessoal. Se está pensando em viajar, lembre-se de se preparar bem e estar aberto às surpresas do caminho. Viajar é uma experiência enriquecedora, cheia de aprendizados e descobertas.

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